Poemas Soltos

Eles não devem fazer sentido.
Contudo, não devem ser perdidos.

Café

Ah, triste é amar e não usufruir. Só penso que o destino tem sadismos escondidos por baixo dessas histórias de amor que dizem ser ele que arquiteta. Consigo só esperar que isso seja um teste. Uma prova. Como é levantar todo dia. Para descobrir cores, sons, músicas e paisagens novas. Descobrir calor e amor nos seus braços, quando o futuro chegar e você puder me acolher no espaço que está vazio no seu coração. Tomar café juntos na varanda, descobrindo um ao outro. Quando penso, acredito, pois tudo parece tão real, que posso tocar meus sonhos com meus dedos e sentir sua pele macia como orvalho da manhã, caindo sobre um pêssego. Só por isso acredito. Se não houvesse isso, se meus sonhos fossem pequenos, talvez eles morressem no aconchego do meu cerebelo.

Engenheiro

Gosto de gente quebrada. Assim, aos frangalhos.
Não, não é sadismo nem bugalhos.
É que eu gosto de consertar o necessário
Para que tudo seja visto com um olhar adequado.
Não há necessidade do extraordinário.
Só acho triste um vaso Ming trincado.

Se seus olhos mirassem só a mim, não me importaria em te dizer o que penso.
Só me agarria ao que eu sinto.
Eles são assim, belos e com um olhar propenso
A me obrigar a perder-me em seu labirinto.

Sorte que com as ferramentas certas posso te consertar.
Uma chave de fenda, em aço rúbreo, para seu coração afrouxar.
Uma moenda, para seus problemas esmiuçar.
Quem sabe, assim você vai me amar.
Quem sabe assim, você vai me amar.

Não gosto do resultado.
Um vaso Ming, depois de consertado
De mim é levado para nunca mais voltar.
Em um museu ele fica, para outrem admirar.

E eu como fico? Só com vontade e minhas ferramentas em espera
De um outro alguém que se desespera
Porque o dedinho do pé começou a lascar.

 

Você e o Mundo

Tudo que eu queria era ver o mundo do jeito que eu vejo você.
Imáculo, inocente e bom.
Lógico, ele teria alguns defeitos.
Mas nada tão grave quanto a putréfata carne que são os músculos dele hoje.

Se eu precisasse dizer “adeus”, que ele me tratasse como você.
Ainda mandando notícias e não enterrando a cabeça no próprio umbigo.
Espero que ainda queira algo comigo.
Espero que ainda seja, para você, um bom amigo.

A vida nos leva a lugares estranhos,
Entretanto, se o mundo fosse como você,
Todos seriam agradáveis.
Não me importa quanto eu me perca na sua imensidão, sempre me encontro feliz.

Intensa, como chocolate e pimenta, você me faz sentir vivo.
Queria que o mundo a todo momento me fizesse sentir assim.
Por vezes, me encontro morto, sem vontade de nada,
dado que saindo pela porta da sala, só encontro um porto.
E ele não traz boas mercadorias.
Só notícias que não quero ouvir, coisas de um sonho torto.

Ainda que consiga achar semelhanças, como seu sorriso que imita o abrir de asas, De um pássaro. Como seus lábios me lembram folhas caindo no outono
Ou como seus cabelos parecem um rio negro pelo qual me apaixono.

Você pode dizer que eu ainda não tenho o meu ciso,
Contudo, já sei, que o mundo não é como você.
Em todo caso, nele vou continuar,
Porque nele você habita e em você eu quero me perder.
Para nunca mais me achar.

1 opinião sobre “Poemas Soltos”

  1. Laurenn Borges de Macedo disse:

    *;*

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