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Eu, neste post, quero fazer algo um pouco diferente: vou tentar parafrasear e traduzir uma discussão levantada por um professor, de Eletrônica de Potência, da minha faculdade. Ou seja, mais do que infraestrutura, vou realmente mostrar um pouco do que estou aprendendo aqui.

Calma, não é pra se desanimar, o assunto da discussão não tem nada a ver com a matéria do professor. Vamos falar de objetos comunicantes. Na sua cabeça, veio uma imagem quando você leu isso. Aposto que foi um smartphone ou um tablet. Na verdade, objetos comunicantes vão muito além dos gadjets, e vou explicar-lhe o porquê.

Em suma, podemos considerar que tudo que tenha wi-fi ou algum outro protocolo para enviar informações para uma rede de dados ou efetuar algum tipo de comunicação seja um objeto comunicante, logo, as aplicações mencionadas acima fazem parte do grupo também. Entretanto, parando para refletir, constata-se que o grupo engloba muito mais que isso e nos leva a crer que no futuro, tudo estará interligado. Esses objetos farão parte da web 3.0 e estão ganhando muita atenção, dado à sua quantidade: estima-se que, na Europa, existam dez deles para cada pessoa. Para melhor exemplificá-los citarei os casos que conversamos sobre em aula, que estarão no mercado em breve:

Suponha que uma senhorita, em levantando-se para ir trabalhar, pegue seu smartphone e abra o um aplicativo que contém todas as peças de roupa dentro do seu armário. Ela escolhe o modo aleatório e uma combinação que leva em conta as cores e formatos das vestimentas e seus gostos pessoais aparece, deixando a vida dela mais prática. Um mini-identificador, maleável, lavável e praticamente invisível dentro da roupa, se comunica com um receptor, que envia os dados para o celular. Por mais incrível que isso pareça, de acordo com o professor, a tecnologia já existe, e aguarda a fase de maturação, desenvolvimento e coleta de reações para ganhar o mercado. Uma das questões levantadas nesse ponto da discussão foi: Vou pagar mais por isso? A resposta é não. O interesse da empresa é que quando você execute o aplicativo e componha algum visual nele, ele também lhe ofereça coisas que você não tem, mas que ficam muito boas com o que você está vestindo hoje, incentivando o consumo.

Muitos carros já são objetos comunicantes, indo do muito simples como abrir a trava elétrica a distância com a chave, ou ao mais complexo como internet 3G conectada ao GPS para dar mais precisão. Contudo, a premissa, doravante, é criar protocolos para comunicação entre os carros e, mais adiante, viabilizar a direção autônoma. A primeira trabalha com um protocolo, com o qual, os veículos se comunicam e, em caso de colisão, emitem sinais para avisar os condutores que vêm na direção do acidente, evitando que ele se agrave.

Outra tecnologia interessante é uma que está em fase de experimental, para ser usada nos boxes de algumas operadoras aqui na frança. Um box, é um receptor que distribui os sinais de internet, televisão e telefone para os dispositivos específicos. O que está em teste é um detector de oscilações de corrente na tomada, ele consegue detectar o que está ligado na sua casa e por quanto tempo. A função alegada do produto é que ele irá ajudar o consumidor a economizar energia, todavia, os dados adquiridos podem ser usados para traçar os perfis de consumidores e ver quando eles utilizam seus aparelhos, facilitando o marketing direcionado aos respectivos públicos alvos.

Espero que o conceito já esteja fixado e exemplificado, você pode encontrar mais informações aqui (link em francês), neste endereço, o autor exemplifica os diversos tipos de objetos comunicantes relacionando-os com a realidade aumentada, vale a leitura, mesmo que seja necessário um tradutor capenga. Seguindo o caminho lógico, exploraremos as consequências da implementação destas tecnologias. A meu ver, dois grandes problemas, já existentes, se agravam: O terrorismo cibernético e a filtragem excessiva de informações.

O primeiro já é uma realidade e, levando em conta a profiliferação das informações que poderemos acessar, a tendência é que ele substitua aos poucos os métodos mais Old Skool. A diferença é que agora pode-se matar muita gente com linhas de código. Eu acreditava que isso aconteceria, porém, futuramente, mas eu fiquei estupefato ao saber que especialistas conseguiram hackear um marca-passo e conseguiriam enviar correntes capazes de matar o seu usuário através do computador. Podemos estender isso ao exemplo dos carros citado anteriormente: e se alguém os hackeasse e resolvesse cortar os freios de um país inteiro?

O segundo, apesar de menos mortífero, não é menos importante. Redes sociais e mecanismos de busca já filtram tudo para você: só informações de amigos relevantes aparecem no seu mural, as buscas indexadas têm tudo a ver com o seu perfil de buscas anterior, só pra citar alguns. Entretanto, amplificando esse fenômeno, pode ser que você acabe por não conhecer novas informações ou a web deixe ser um lugar democrático. Podemos chegar a um ponto onde as pesquisas serão tão refinadas que elas não mais se adequarão ao seu perfil, mas seu perfil vai ser definido por elas. Além disso, poderemos ter uma internet diferente para cada um de seus usuários erguendo muros dentro da rede. Podemos ampliar esse pensamento para o exemplo dos boxes e a publicidade e os programas expostos nos horários que você assiste televisão seriam os mais “adequados” para o seu perfil.

O que quero deixar com esse artigo é um novo conceito e uma reflexão, não quero que tomem meu ponto de vista como verdade nem quero começar uma daquelas discussões de internet. Espero que não tenha fugido do meu escopo. À bientôt.

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